domingo, 27 de julho de 2008

João Bosco - Caça à Raposa(1975)

João Bosco dispensa apresentações. Caça à Raposa é o segundo álbum da carreira do compositor, mas essa informação é um pouco controversa, pois ele também gravou no Disco de Bolso do Jornal O Pasquim, que é de 1972, anterior ao primeiro disco: João Bosco.
É um disco influenciado pelo samba, pelo jazz, pelo bolero, pela bossa-nova... não tem como ser melhor. Simplesmente totalmente recomendado. É difícil fazer destaques, pois é um álbum completíssimo. Os arranjos instrumentais são excelentes, muito bem trabalhados. Eu não me importo muito com as letras das músicas quando ouço um disco, mas elas também acabam sendo relevantes, são muito boas. Um clássico da MPB.
Faixas:
01 - O Mestre-Sala Dos Mares
02 - De Frente Pro Crime
03 - Dois Pra Lá, Dois Pra Cá
04 - Jardins da Infância
05 - Jandira da Gandaia
06 - Escadas da Penha
07 - Casa de Marimbondo
08 - Nessa Data
09 - Bodas de Prata
10 - Caça à Raposa
11 - Kid Cavaquinho
12 - Violeta de Belfort Roxo

sábado, 19 de julho de 2008

Gryphon - Red Queen To Gryphon Three

Novamente evitando postar alguma coisa underground demais. Gryphon foi uma banda de rock progressivo britânica nos anos 70 que fazia um som bastante diferente e com uma instrumentação bem distinta das outras bandas de rock da época. Gryphon tinha uma sonoridade ímpar, misturando música tradicional inglesa com música renascentista e medieval. O grupo foi fundado por Richard Harvey, multi-instrumentistra, e Brian Gulland, músico de instrumentos de sopro, colegas da Royal Academy of Music, como um grupo acústico, mas já com as mesmas influências que caracterizam a banda, porém sem uso de guitarras elétricas e teclados. Com a entrada do baterista e percussionista David Oberlé e do guitarrista Graeme Taylor, o som da banda se estendeu a outros instrumentos.
A instrumentação usada é interessantíssima, abusando dos sopros, como fagotes, flautas de madeira e crumhorns. Em Red Queen to Gryphon Three, há também participação de Ernest Hart tocando orgão e Peter Redding, no contrabaixo, que não são membros do Gryphon.
Red Queen To Gryphon Three é um álbum foda, não é um disco de rock, com toda certeza, soa muito mais como música tradicional inglesa. Totalmente instrumental, com muitas passagens extraordinárias, criativas e muito progressivas. Porém tudo soa simples e pueril e nos remete a sentimentos campestres.
Não farei destaques, pois o disco todo esbanja criativade e musicalidade, usando e abusando de muitos temas musicais criativos e apaixonantes.
Opening Move é uma faixa bem rural, com um tema encantador e muita dinâmica. O tema principal que se repete várias vezes e com vários instrumentos diferentes é encantador, é um disco que já começa chamando atenção e ao contrário do que se espera, quanto mais próximo do final, mais atenção ele consegue do ouvinte.
Second Spasm, também é bem rural e faz um uso enorme, mas não excessivo, dos sopros, com passagens lindas e bucólicas, bem como passagens alucinantes e céleres. Iniciando com muitos sopros e soando bastante renascentista. Nos 3 minutos e 43 segundos começa um trecho encantador, com um uso lindo dos teclados e da guitarra, que lembra uma caminhada por um reino fantástico medieval. Muita atenção a essa faixa, ela é cheia de charme e candura! A sequência instrumental final de Second Spasm que começa aos 5 minutos e 20 é perfeita e muito encantandora.
Em Lament novamente a banda esbanja criativade. A música começa tranquila, com um violão, flautinhas e fagotes fazendo melodias simples, mas muito bonitas. Por volta de 3:20 a música fica mais melancólica, com um violão dedilhado e melodias mais soturnas, com uma linha forte de baixo e bateria. Entre os 5 minutos e 30 há uma mudança drástica do clima da canção, chegando a ser mais próxima do clima pueril do resto do disco. Atenção especial ao tema que se inicia aos 7 minutos e 37 e se estende até o final da 3ª faixa.
E por último: Checkmate! Provavelmente a faixa que inspirou a capa do álbum, soa a mais progressiva de todo disco. Novamente a banda tocando de maneira inspiradora, fazendo uma música que ao mesmo tempo que soa complexa, soa simples e fluente. Essa faixa tem muitas passagens distintas e é com certeza um dos pontos altos do álbum. A sequência instrumental final soa novamente medieval, mostrando o som de uma das bandas britânicas mais inovadoras dos anos 70.
Definitivamente o disco tem ínicio, meio e fim.
Totalmente recomendado.

Faixas:

1 - Opening Move (8:15)
2 - Second Spasm (9:42)
3 - Lament(10:45)
4 - Checkmate(9:50)
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segunda-feira, 7 de julho de 2008

Beto Guedes - A Página do Relâmpago Elétrico(1977)


Pra sair um pouco do underground vou postar agora um disco desse grande artista mineiro que é o Beto Guedes. Beto desde jovem esteve na ativa, participando em parceria com Fernando Brant do V Festival da Canção, com sua composição Feira Moderna. Participou ativamente do Clube da Esquina ao lado de outros feras da música mineira como Milton Nascimento, Lô Borges e o próprio Brant.
A Página do Relâmpago Elétrico é o primeiro trabalho solo de Beto Guedes, e é na minha opnião, um dos mais autênticos álbums mineiros dos anos 70. Esse disco é magnífico, das mãos de grandes nomes da MPB, como Lô Borges, Milton Nascimento, Flávio Venturini e Ronaldo Bastos oriundos do Clube da Esquina.
É um disco musicalmente completo, com uma instrumentação exatamente como eu gosto: moogs, violões, flautas, pianos muito bem trabalhados, ótimas linhas de baixo, excelentes baterias e o singular vocal de Beto Guedes. Tem uma sonoridade parecida com O Terço(aliás, tem vários músicos d'O Terço nesse disco.). As letras também são uma beleza a parte.
Totalmente recomendado, uma obra-prima.
Destaque para as faixas A Página do Relâmpago Elétrico, Maria Solidária, Choveu e as instrumentais Chapéu de Sol e Belo Horizonte.
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Faixas:
01 - A Página Do Relâmpago Elétrico(5:13)
02 - Maria Solidária(2:51)
03 - Choveu(4:17)
04 - Chapéu de Sol(4:18)
05 - Tanto(3:49)
06 - Lumiar(3:24)
07 - Bandolim(3:50)
08 - Nascente(4:04)
09 - Salve Rainha(2:58)
10 - Belo Horizonte(2:34)
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terça-feira, 1 de julho de 2008

Jacula - In Cauda Semper Stat Venenum(1969)


Antonio Bartoccetti, também conhecido como Antonius Rex, é uma das figuras mais intrigantes do Rock Progressivo Italiano e também do mundial. Sua música é extremamente soturna, ainda mais para a época, por isso para alguns é conhecido com o pai dos góticos.
Jacula foi um grupo integrado por Antonio Bartoccetti(guitarra e voz), Doris Norton, também conhecida como Fiamma Dallo Spirito(vocal, violino e flauta) e o Charles Tiring(teclados). Jacula foi um grupo obscuro em todos os sentidos, e esse álbum, In Cauda Semper Stat Venenum, teve, na época, sua distribuição limitada a trezentas cópias somadas a dez promocionais. Recentemente o mesmo foi relançado pela Black Widow, mas até hoje em dia é meio difícil encontrar discos originais do grupo.
Para os fãs do Rock Progressivo um aviso: não ouvirão um disco cheio de virtuoses e passagens complexas, porém várias composições simples com uma atmosfera extremamente fúnebre e soturna. Todas as faixas são, em sumo, compostas por temas musicais que variam pouco, ou quase nada em geral guiadas por órgãos de igreja. Elas tem um ar totalmente funéreo e doentio.
É o disco mais mórbido que eu conheço e altamente recomendado por ser de uma originalidade única e com certeza totalmente diferente de tudo que se fazia na época. Orgãos, guitarras distorcidas, pianos, tímpanos, palavras sussurradas, orgasmos e ventos uivantes criam uma atmosfera totalmente lúgubre e fantasmagórica onde o ouvinte sente como se as blasfêmias e demônios mais profanos tivessem vindo do inferno para caminhar melancolicamente por uma necrópole.
Faixas:
01 - Ajtus(4:06)
02 - Magister Dixit(10:30)
03 - Triumphatus Sad(3:34)
04 - Verificium(2:21)
05 - Initiatjo(6:48)
06 - In Cauda Semper Stat Venenum(10:05)
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